Pular para o conteúdo
← Todas as notícias

Estudo em laboratório não encontra dano do paracetamol no cérebro fetal

Modelos de cérebro em laboratório expostos a paracetamol não mostraram alterações, reforçando estudos que não ligam o remédio ao autismo.

fonte: The Transmitter3 min de leituraautismociênciagravidez
Tubos de ensaio e pipetas organizados em uma bancada de laboratório de pesquisa.
Tubos de ensaio e pipetas organizados em uma bancada de laboratório de pesquisa. Foto: Goldmund100 (CC BY-SA 2.0), via Openverse. A imagem é ilustrativa e não retrata as pessoas ou o local da notícia.

O que os cientistas fizeram

Um grupo de pesquisadores quis testar, em laboratório, se o paracetamol (também chamado de acetaminofeno) afeta diretamente o cérebro de um bebê em formação. Para isso, eles usaram organoides cerebrais: pequenos aglomerados de células cultivados em laboratório que imitam, de forma simplificada, o tecido do córtex cerebral humano.

Esses organoides foram programados para representar um estágio de desenvolvimento parecido com o fim do primeiro trimestre da gravidez, período em que o cérebro do feto começa a se formar. Os cientistas então expuseram esse tecido a diferentes doses de paracetamol, incluindo uma dose mais alta, e observaram o que acontecia nas células ao longo do tempo.

A notícia foi divulgada pelo site de jornalismo científico The Transmitter, da Fundação Simons, em 13 de outubro de 2026, dentro de um resumo semanal de pesquisas sobre autismo.

O que os cientistas encontraram

O resultado foi, basicamente, nenhuma mudança relevante. O paracetamol não alterou o tamanho dos organoides, não mudou a organização do tecido e não afetou a sobrevivência das células. Também não houve diferença na densidade de sinapses — as conexões entre os neurônios — nem na proporção de neurônios e de células progenitoras (que ainda vão se transformar em outros tipos de célula).

Na dose mais alta de paracetamol, os pesquisadores viram algumas mudanças na atividade de certos genes. Mas, quando olharam o tecido num momento posterior, essas mudanças já não apareciam mais — ou seja, o efeito, quando existiu, foi pequeno e passageiro.

Segundo a reportagem do The Transmitter, esse resultado é coerente com estudos grandes, feitos com milhares de famílias, que também não encontraram ligação entre o uso de paracetamol na gravidez e maior chance de autismo no filho.

Os limites do estudo

É importante entender o que esse tipo de estudo pode e não pode mostrar. Organoides são um modelo de laboratório — um tecido simplificado, cultivado fora do corpo — e não um cérebro fetal completo dentro de uma gravidez real. Esse tipo de pesquisa ajuda a entender mecanismos biológicos possíveis, mas não substitui estudos com grávidas e seus bebês.

A reportagem não detalha o número exato de organoides testados em cada grupo, nem todos os detalhes das doses usadas, então vale cautela antes de generalizar demais os números específicos.

O que isso significa para as famílias

Essa pesquisa é mais uma peça num debate que já tem bastante evidência acumulada: hoje, os estudos maiores e mais robustos, feitos com populações inteiras, não mostram que o paracetamol na gravidez aumenta o risco de autismo. Esse estudo de laboratório ajuda a explicar, do ponto de vista biológico, por que isso faz sentido.

Autismo não tem uma causa única nem uma causa simples, e certamente não é causado por um remédio de uso comum. Se você é gestante ou está planejando engravidar e tem dúvidas sobre o uso de paracetamol ou de qualquer outro medicamento durante a gravidez, a orientação certa é conversar com o médico ou médica que acompanha o pré-natal — ele conhece seu histórico e pode orientar com segurança.

Para quem já tem um filho ou filha autista, essa notícia não muda nada no cuidado do dia a dia. O caminho mais útil continua sendo buscar diagnóstico e apoio com profissionais qualificados e desconfiar de informações alarmistas sobre "causas" do autismo que circulam nas redes sociais sem respaldo científico.

Continue lendo

Procurando apoio em Macapá?

Este blog é mantido pela AEE Clínica Multiprofissional. Se você acompanha as notícias porque algo no desenvolvimento de alguém da sua família preocupa, conheça as clínicas especializadas em autismo que recomendamos em Macapá/AP.

AEE Clínica Multiprofissional

Sete especialidades na mesma casa

Atendimento infantil especializado em TEA e demais transtornos do desenvolvimento: Fonoaudiologia, Psicologia, Terapia Ocupacional, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Neuropsicologia e Clínica Geral. Particular e planos de saúde.

Av. Pedro Lazarino, 1403 — Buritizal, Macapá/AP

Equipe TEA

Especializada em autismo

Clínica especializada no Transtorno do Espectro Autista, com orientação ABA: Fonoaudiologia, Psicologia, Neuropsicopedagogia, Terapia Ocupacional, Psicomotricidade, Nutrição, Musicoterapia e Neurologia.

Av. dos Timbiras, 57 — Beirol, Macapá/AP