Estudo liga menopausa mais difícil a mulheres autistas
Pesquisa britânica com quase 900 mulheres encontrou mais sintomas, ansiedade e pior qualidade de vida na menopausa de autistas.

O que a pesquisa encontrou
Pesquisadores da Universidade Bournemouth, no Reino Unido, publicaram em 27 de outubro um estudo na revista científica Autism in Adulthood comparando como mulheres autistas e não autistas vivem a menopausa, a fase da vida em que o corpo para de menstruar e os hormônios femininos caem. O trabalho foi liderado por Eunhee Kim, pesquisadora de pós-graduação da universidade.
Participaram cerca de 900 pessoas entre 40 e 60 anos, acompanhadas por cinco semanas: 476 mulheres autistas e 425 não autistas. Todas responderam a questionários padronizados sobre o que pensavam e sentiam em relação à menopausa, a intensidade dos sintomas, a qualidade de vida e os níveis de ansiedade e depressão.
O resultado: as mulheres autistas relataram sintomas de menopausa mais fortes, mais ansiedade e depressão, e pior qualidade de vida. Elas também disseram se sentir menos no controle da própria menopausa e entender menos o que estava acontecendo com o corpo, em comparação com as mulheres não autistas.
Por que a diferença pode acontecer
Segundo os pesquisadores, essa sensação de falta de controle e de pouco entendimento sobre a menopausa pode ajudar a explicar parte da diferença encontrada, possivelmente porque gera mais estresse nas mulheres autistas. Essa é uma explicação proposta pelo estudo, não uma causa já comprovada.
A equipe também observou que a maior parte dos materiais sobre menopausa disponíveis ao público foi pensada para pessoas não autistas, e que as participantes autistas contaram ter mais dificuldade para conseguir apoio de saúde durante essa fase. Kim afirmou à imprensa: "espero que essas descobertas tranquilizem as pessoas autistas, mostrando que isso não é culpa delas".
A pesquisadora também citou genética e estresse crônico como possíveis fatores por trás da diferença, dizendo que a causa é "provavelmente multifatorial" — ou seja, resultado de vários fatores combinados, e não de um só.
O que o estudo ainda não responde
Os próprios pesquisadores reconhecem limites no trabalho. Outras explicações possíveis, como maior sensibilidade sensorial ou mais dificuldade para reconhecer sinais do próprio corpo, ainda precisam ser estudadas. Além disso, muitas mulheres autistas com mais de 50 anos nunca foram diagnosticadas, o que pode interferir em como os sintomas delas são percebidos e tratados por médicos.
Esse estudo faz parte de um projeto maior sobre autismo e menopausa que o mesmo grupo da Universidade Bournemouth conduz desde 2023. Pesquisas anteriores da equipe já haviam descrito a menopausa como um momento especialmente difícil na vida adulta de pessoas autistas.
O que isso significa para as famílias
Essa pesquisa foi feita com mulheres adultas, não com crianças — mas pode ajudar famílias com mães, avós, tias ou irmãs autistas na faixa dos 40 aos 60 anos. Se uma mulher autista da família está enfrentando mais mudanças de humor, ansiedade, cansaço ou dificuldade com a rotina nessa fase da vida, o estudo sugere que isso não é exagero nem falta de esforço: pode ser um padrão real, ligado à forma como o corpo e a mente de pessoas autistas vivem a menopausa.
Vale conversar com um ginecologista ou outro profissional de saúde e contar, sem receio, que a pessoa é autista. Isso pode ajudar o profissional a entender melhor os sintomas e oferecer um acompanhamento mais adequado — o próprio estudo mostra que pessoas autistas costumam ter mais dificuldade para conseguir esse tipo de apoio.
É importante lembrar que essa foi uma única pesquisa, com poucas centenas de participantes acompanhadas por cinco semanas. Os resultados são um indício a levar em conta, não a palavra final sobre o assunto — outros estudos ainda serão necessários para confirmar as causas dessa diferença.




