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Mães vão à Justiça para garantir tratamento de filhos autistas

Na Bahia, duas famílias recorreram à Justiça depois que planos de saúde limitaram ou recusaram terapias para filhos autistas.

fonte: A Tarde3 min de leituradireitossaúdeplanos de saúde
Martelo de juiz sobre uma mesa, com pilhas de documentos ao fundo.
Martelo de juiz sobre uma mesa, com pilhas de documentos ao fundo. Foto: Joe Gratz (CC0), via Openverse. A imagem é ilustrativa e não retrata as pessoas ou o local da notícia.

Dois casos, dois planos de saúde

Na Bahia, duas mães precisaram ir à Justiça para conseguir que os planos de saúde pagassem o tratamento completo dos filhos autistas. Os casos foram contados pela reportagem do jornal A Tarde.

Fernanda Góes, professora de 45 anos, é mãe de Marco Antônio, de 8 anos, conhecido como Marquinhos. No plano Hapvida, ela diz que o atendimento oferecido era curto demais: por semana, apenas 20 minutos de terapia ocupacional, 30 minutos de psicologia e 20 minutos de fonoaudiologia. Ao trocar para o plano Bradesco Saúde, a família enfrentou outro problema: no fim de 2024, o plano recusou cobrir o acompanhante terapêutico pedido pelo neurologista da criança. Sem esse apoio, Fernanda contou que a família chegou a pagar cerca de 15 mil reais a cada seis meses do próprio bolso.

Cristiane Copque, servidora pública de 45 anos, é mãe de Eduardo, de 10 anos, diagnosticado com TEA em 2023 e com TDAH em 2024. Ela está em disputa judicial com o plano de saúde desde 2023. Em 2024, conseguiu uma liminar para que o filho fosse atendido em uma clínica fora da rede credenciada. Depois, segundo ela, o plano cancelou a cobertura sem aviso prévio; uma segunda liminar reativou o atendimento, mas o plano reajustou a mensalidade em 400%. Hoje, ela paga cerca de 1.400 reais pelo plano individual do filho e mais 600 reais pelo plano oferecido pelo seu trabalho, soma que chega perto de 2 mil reais por mês.

O que a Justiça decidiu

No caso de Marquinhos, o advogado da família, João Henrique Rocha Ferreira, entrou com a ação em maio de 2025. Uma liminar foi concedida em 3 de junho daquele ano, e a sentença final saiu em setembro de 2025. A Justiça determinou que o plano cubra o tratamento multiprofissional completo da criança, incluindo ABA (um método de intervenção comportamental), fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicomotricidade. O plano também foi condenado a pagar 10 mil reais de indenização por danos morais, referentes aos meses em que o menino ficou sem atendimento.

Segundo o advogado, a decisão seguiu o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), adotado também pelo Tribunal de Justiça da Bahia, de que os planos de saúde não podem limitar o número de sessões de terapias indicadas por médico para pacientes com TEA. Marquinhos passou a ser atendido em uma clínica na cidade de Serrinha (BA), a cerca de 100 km de onde mora.

A reportagem do A Tarde tentou contato com o Bradesco Saúde e com a Hapvida, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

O que diz a regra dos planos de saúde

Desde 2022, uma resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a ANS 541/2022, obriga os planos de saúde a cobrir qualquer método ou técnica de tratamento indicado por médico para autismo e outros transtornos do desenvolvimento. A mesma regra tirou o limite de sessões com fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, que antes podiam ser restringidas pelos planos.

O que isso significa para as famílias

Se o plano de saúde negar ou limitar uma terapia indicada por médico para uma pessoa autista, a família pode contestar essa decisão. Vale pedir a recusa por escrito ao plano, guardar o relatório médico que indicou o tratamento e procurar orientação jurídica: um advogado especializado em direito à saúde, a Defensoria Pública ou o Procon podem ajudar a avaliar o caso e, se for preciso, buscar uma liminar na Justiça para garantir o atendimento rapidamente, como aconteceu nos dois casos contados aqui.

Os dois casos mostram que, mesmo com a regra da ANS em vigor, negativas e reajustes abusivos de mensalidade ainda acontecem na prática, e que buscar a Justiça pode ser necessário para garantir o tratamento. Também mostram que vale a pena guardar todos os documentos e comprovantes de gastos com terapias pagas pela própria família: eles podem embasar tanto o pedido de cobertura quanto um eventual pedido de indenização.

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