Estudo liga uso difícil de controlar das redes sociais a TDAH
Estudo dos EUA com mais de 11 mil adolescentes liga uso difícil de controlar das redes sociais a mais sintomas de TDAH, só entre os meninos.

O que o estudo investigou
Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Network Open, dos Estados Unidos, acompanhou 11.286 adolescentes americanos ao longo de cinco anos seguidos. O objetivo era entender se o uso difícil de controlar das redes sociais está ligado a sintomas de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), como desatenção, impulsividade e dificuldade para se organizar.
O estudo foi conduzido por Jason M. Nagata, médico da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF). A cada ano, os próprios adolescentes relatavam se tinham dificuldade de controlar o uso das redes sociais, e os pais relatavam os sintomas de TDAH que observavam nos filhos.
Resultado apareceu só entre os meninos
Segundo a reportagem do Terra, que repercutiu o estudo, nos anos em que o uso difícil de controlar das redes sociais aumentava, os sintomas de TDAH relatados pelos pais também aumentavam no ano seguinte. Essa relação, porém, só foi observada entre os meninos. Entre as meninas, o mesmo padrão não apareceu de forma significativa.
Os pesquisadores também encontraram indícios de que o caminho inverso pode existir: adolescentes com mais sintomas de TDAH passaram, em alguns casos, a usar as redes sociais de forma mais difícil de controlar depois. Essa segunda relação, porém, foi mais fraca e não se repetiu em todas as fases do acompanhamento.
Ligação não é prova de causa
O estudo é observacional: ele mostra uma relação entre dois fatores ao longo do tempo, mas não prova que um causa o outro. Pode haver outras explicações para o padrão encontrado, que os próprios dados não conseguem descartar.
Por isso, os autores recomendam cautela na interpretação e sugerem que a avaliação de jovens com TDAH leve em conta o tipo de uso das redes sociais, não apenas o tempo de tela. Segundo o resumo do estudo, "a avaliação do uso de redes sociais entre jovens com TDAH deve priorizar padrões problemáticos", além de considerar diferenças entre meninos e meninas.
O que isso significa para as famílias
O estudo não diz que usar redes sociais causa TDAH, nem que todo adolescente que passa muito tempo no celular vai desenvolver o transtorno. O ponto de atenção que a pesquisa levanta é outro: o que mais importa não é só quanto tempo o jovem passa online, mas se ele consegue controlar esse uso quando quer parar.
Para uma família que já acompanha uma criança ou adolescente com TDAH, vale observar se existe dificuldade real de controlar o uso das redes sociais, mesmo quando a pessoa quer parar, e se isso parece piorar a atenção, o sono ou o desempenho escolar. Esse tipo de observação pode ser levado como informação útil numa consulta com o médico, psicólogo ou outro profissional que acompanha o tratamento.
Informação oficial sobre TDAH pode ser buscada em unidades do SUS e em sociedades médicas brasileiras. O estudo não traz, e este texto também não traz, nenhuma recomendação de tratamento ou de limite de tempo de tela: qualquer decisão sobre o uso de telas deve ser conversada com quem acompanha a saúde da criança ou do adolescente.




