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Estudo global liga TDAH a maior risco de morte prematura

Metanálise com quase 16 milhões de pessoas mostra risco maior de morte em quem tem TDAH; papel da medicação ainda é incerto.

fonte: JAMA Network Open3 min de leituratdahmortalidadepesquisa
Comprimidos brancos empilhados, vistos de perto.
Comprimidos brancos empilhados, vistos de perto. Foto: Grumpy-Puddin (CC BY 2.0), via Openverse. A imagem é ilustrativa e não retrata as pessoas ou o local da notícia.

Um estudo com quase 16 milhões de pessoas

TDAH é a sigla para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, uma condição que afeta a atenção, o controle de impulsos e, em alguns casos, o nível de atividade da pessoa. Um grupo de pesquisadores do Reino Unido reuniu dados de 19 estudos feitos em três continentes, somando quase 16 milhões de pessoas — 36% delas mulheres. O trabalho foi publicado em 19 de outubro de 2026 na revista científica JAMA Network Open, ligada à Associação Médica Americana.

A pesquisa foi liderada por Lucy Corrigan, da Universidade de Liverpool, com o professor Joshua Stott e a pesquisadora Amber John, da University College London (UCL), como autores seniores. É uma metanálise: os cientistas não acompanharam pacientes do zero, mas reuniram e compararam resultados de pesquisas já publicadas por outros grupos, em diferentes países.

Risco de morte maior, principalmente por suicídio

Os pesquisadores compararam o risco de morte entre pessoas com diagnóstico de TDAH e pessoas sem o diagnóstico. Pela medida estatística usada no estudo, pessoas com TDAH tiveram 71% mais risco de morrer por qualquer causa, em comparação com quem não tem o transtorno.

O risco variou conforme a causa da morte: foi 89% maior para suicídio, 55% maior para lesões — acidentais ou intencionais — e 27% maior para causas naturais, como doenças. O risco ligado ao suicídio foi o mais alto entre todos os calculados no estudo.

"TDAH não é, por definição, uma condição que limita a vida", disse Joshua Stott, um dos autores. Segundo os pesquisadores, parte do risco maior de morte pode estar ligada a outros problemas que costumam acompanhar o TDAH, como ansiedade, depressão, uso de álcool ou outras substâncias e exclusão social — e não ao TDAH isoladamente.

Medicação: um indício, ainda não uma prova

Um achado chamou atenção: entre as pessoas com TDAH, quem tomava medicação para o transtorno teve 25% menos risco de morte do que quem não tomava. Mas esse resultado vem de apenas 3 dos 19 estudos reunidos na pesquisa — uma base pequena.

Por isso, os próprios pesquisadores pedem cautela. Como o estudo apenas observou o que já havia acontecido com essas pessoas, sem testar o remédio em condições controladas, ele não prova que foi a medicação que reduziu o risco de morte. Outros fatores, como gravidade do quadro ou acesso a tratamento, também podem explicar a diferença.

O que o estudo não consegue garantir

Os autores listam vários limites. Os 19 estudos usados tinham metodologias bem diferentes entre si, o que dificulta comparações diretas. A maioria dos participantes era do sexo masculino, o que limita as conclusões para mulheres. E os países incluídos têm sistemas de saúde e formas de diagnosticar TDAH diferentes uns dos outros. Como é um estudo observacional, ele mostra uma associação entre TDAH e risco de morte — não prova que um causa o outro.

O que isso significa para as famílias

Esse estudo não quer dizer que toda pessoa com TDAH vai ter uma vida mais curta. Ele mostra um padrão em grupos muito grandes, não faz uma previsão sobre uma pessoa específica. Ainda assim, o resultado reforça a importância de levar o TDAH a sério, com acompanhamento contínuo de um profissional de saúde.

Vale conversar com quem acompanha a criança ou o adulto sobre os outros problemas de saúde mental que o estudo associou ao risco maior de morte, como ansiedade, depressão e uso de substâncias, e perguntar quais sinais merecem atenção.

Para informação oficial e atualizada sobre diagnóstico e tratamento do TDAH no Brasil, procure o Ministério da Saúde (gov.br/saude) ou o pediatra, neuropediatra ou psiquiatra que acompanha o caso. Este texto não substitui orientação médica individual.

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