Grupo nos EUA discute regras para terapia de autismo paga com dinheiro público
Painel da Flórida (EUA) avalia exigir licença para clínicas de ABA e dar às famílias acesso a outras terapias além dela.

Um grupo de trabalho para decidir como gastar o dinheiro público
Na Flórida, nos Estados Unidos, um grupo de dez pessoas foi criado pelo Legislativo do estado para recomendar como o dinheiro público deve ser usado no tratamento de autismo. O grupo foi formado durante as negociações do orçamento estadual para 2026-27 e é presidido por Shevaun Harris, secretária da Administração de Cuidados de Saúde da Flórida, órgão que cuida de um programa de saúde pública (parecido com o SUS brasileiro, mas só para a Flórida) de 38 bilhões de dólares.
Esse grupo se reuniu na última segunda-feira, dia 6 de outubro, e está perto de fechar sua lista de recomendações. Ainda faltam mais duas reuniões antes de entregar o texto final aos deputados estaduais.
O que pode mudar no atendimento
A principal terapia discutida é a análise do comportamento aplicada, conhecida pela sigla em inglês ABA. Ela usa técnicas estruturadas para reduzir comportamentos considerados prejudiciais e estimular outros comportamentos, e é hoje o método mais usado no tratamento de autismo nos Estados Unidos.
Entre as ideias do grupo estão: exigir que as próprias empresas que oferecem ABA tenham licença (hoje só os profissionais precisam ser licenciados, não a clínica); ligar o repasse de dinheiro público às empresas a pesquisas anuais de avaliação feitas com os profissionais licenciados; e garantir que os pais tenham acesso a outras terapias além da ABA, como a DIR FloorTime, criada nos anos 1980 e baseada em brincadeiras e na construção de vínculo afetivo para estimular o desenvolvimento social e emocional da criança.
David Harbour, presidente de uma rede de clínicas de ABA que atua em 11 estados americanos, defendeu a licença das empresas como forma de "criar padronização dos serviços" e disse que uma empresa reprovada em pesquisa de qualidade deveria perder parte do repasse público.
Dúvidas sobre qualidade e fiscalização
Nem todos no grupo concordam que a ABA seja a única resposta. A fonoaudióloga Sheryl Rosin, integrante do painel, afirmou que "nenhuma abordagem provou definitivamente ser o tratamento certo para o autismo", defendendo mais variedade de opções para as famílias.
A discussão também foi motivada por preocupações com fraude e desperdício de dinheiro público: segundo a reportagem, o órgão federal americano que fiscaliza o Medicaid (o programa de saúde pública dos Estados Unidos) está investigando a cobrança por serviços de autismo na Flórida e em outros três estados, Califórnia, Maine e Nova York.
O que isso significa para as famílias
Essa decisão é da Flórida e não muda nenhuma lei ou direito no Brasil. Mas o debate mostra uma pergunta que vale para famílias de qualquer país: como saber se uma clínica de terapia é realmente qualificada e se o método oferecido é o mais indicado para aquela criança.
Para quem já tem ou está buscando terapia para um filho ou filha autista, pode ser útil perguntar ao profissional responsável: qual é a formação dele, se existe algum tipo de credenciamento ou registro profissional, como é definido o plano de atendimento e se os resultados são acompanhados e revistos com regularidade.
Vale lembrar que não existe um único método certo para todas as pessoas autistas: o que funciona bem para uma criança pode não funcionar para outra, e a escolha da terapia deve sempre ser conversada com a equipe que acompanha a criança.




