Estudo com 2,5 milhões de crianças não encontra elo entre vacina tríplice viral e autismo
Pesquisa nos EUA analisou mais de 2,5 milhões de crianças e não achou mais risco de autismo em quem tomou a vacina tríplice viral (MMR).

O que a pesquisa descobriu
Uma equipe da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, analisou prontuários médicos de mais de 2,5 milhões de crianças para checar se a vacina tríplice viral, chamada de MMR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, aumenta o risco de autismo. O resultado, publicado no Pediatric Infectious Disease Journal, uma revista científica revisada por outros especialistas, não encontrou nenhuma ligação entre a vacina e o diagnóstico.
No grupo estudado, 2,55% das crianças tinham diagnóstico de autismo, e 91,4% delas haviam tomado a primeira dose da MMR até os 24 meses de idade. Comparando quem já tinha sido vacinado com quem ainda não tinha, dentro da mesma faixa de idade, o risco de autismo foi praticamente igual nos dois grupos. O pesquisador principal do estudo, Todd Burstain, resumiu o achado: "crianças que recebem a vacina MMR entre 11,5 e 24 meses não têm risco aumentado de autismo."
De onde vem o medo da vacina
O receio de que a MMR cause autismo começou com um artigo publicado em 1998, sobre apenas 12 crianças. Segundo os pesquisadores, esse estudo foi depois retratado, ou seja, oficialmente anulado pela revista que o publicou, por causa de má conduta científica. Mesmo assim, o medo continuou entre algumas famílias. Burstain lembra que, desde então, numerosos estudos grandes ao longo dos anos já tinham encontrado nenhuma ligação entre a vacina e a condição. O novo estudo usou uma base de dados muito maior e mais recente, com crianças acompanhadas entre 2015 e 2024, e reforça essa conclusão com mais força estatística do que pesquisas anteriores, que eram majoritariamente europeias.
Como foi feito o estudo, e seus limites
Os pesquisadores usaram uma técnica chamada análise de marco por idade: em vez de comparar simplesmente quem tomou a vacina com quem nunca tomou, eles agruparam as crianças pela idade em que a decisão de vacinar costuma ser tomada. Isso evita um erro estatístico comum, em que o tempo antes da vacinação é contado, por engano, como se a criança já estivesse vacinada.
Mesmo assim, o próprio Burstain destaca os limites do trabalho. Ele explicou que é um estudo observacional, então os pesquisadores podem dizer que não viram nenhuma associação, mas não podem dizer que a MMR não causa autismo, porque causalidade só pode ser provada com ensaios clínicos randomizados, um tipo de teste considerado antiético nesse caso, já que significaria deixar de vacinar um grupo de crianças de propósito. O estudo também não teve dados sobre histórico de autismo na família, e o tempo de acompanhamento foi maior entre as crianças vacinadas, com mediana de 853 dias, do que entre as não vacinadas, com mediana de 366 dias.
O que isso significa para as famílias
Este estudo não muda nenhuma recomendação médica oficial: a vacina tríplice viral já era considerada segura pelas autoridades de saúde antes dele, e segue recomendada no calendário infantil. A notícia serve, principalmente, para quem ouviu ou leu que a vacina poderia causar autismo e ficou em dúvida sobre vacinar o filho.
Autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, não uma doença causada por vacina. Os sinais costumam aparecer na primeira infância e envolvem, por exemplo, diferenças na comunicação e na interação social. Se você notar esses sinais no seu filho, o caminho é conversar com o pediatra e buscar uma avaliação com profissionais especializados; a vacinação não precisa, e não deve, ser interrompida por causa dessa preocupação.
Dúvidas sobre o calendário vacinal podem ser tiradas com o pediatra ou na própria unidade de saúde. Informações oficiais sobre vacinação infantil no Brasil estão nos canais do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais de saúde.




