Dados da Dinamarca reforçam que mudança no diagnóstico explica aumento de casos de autismo
Estudo com registros dinamarqueses de 2012 a 2022 sugere que o aumento de diagnósticos de autismo e TDAH reflete a forma de diagnosticar, não mais pessoas autistas.

O que o estudo analisou
Uma análise publicada na revista científica JAMA Psychiatry, e destacada em 15 de setembro de 2026 pelo site de jornalismo científico The Transmitter, usou os registros nacionais de saúde da Dinamarca entre 2012 e 2022. A Dinamarca é um dos países que mais usam esse tipo de dado em pesquisa, porque acompanha a população inteira ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam crianças que receberam diagnóstico de autismo ou de TDAH com crianças que não receberam, observando fatores do início da vida, como o peso ao nascer e a renda da família.
O que eles encontraram
No começo do período, as diferenças entre os dois grupos nesses fatores eram maiores. Ao longo da década, elas foram diminuindo. Em outras palavras, as crianças diagnosticadas nos anos mais recentes se parecem mais com a população em geral.
Para os autores, esse padrão indica que o aumento no número de diagnósticos de autismo e TDAH reflete mudanças nas práticas de diagnóstico e na oferta de serviços especializados — e não um aumento real de pessoas com essas condições.
Por que isso importa
O crescimento dos diagnósticos costuma ser apresentado como uma "epidemia" de autismo, o que alimenta medo e busca por culpados. Pesquisas como essa apontam em outra direção: hoje se identifica autismo em pessoas que antes passavam despercebidas, como crianças com menos necessidade de apoio, meninas e adultos.
O estudo trata de um único país, com sistema de saúde e critérios próprios, e não mede diretamente as causas do aumento. Ainda assim, soma-se a outros trabalhos que chegam a conclusão parecida.
O que isso significa para as famílias
Se o número de crianças autistas na escola ou no bairro parece maior do que antigamente, isso tem uma explicação provável: mais famílias, professores e profissionais sabem reconhecer os sinais, e há mais lugares que fazem avaliação. Isso é uma boa notícia, porque o apoio começa mais cedo.
No Brasil, a Lei 13.438/2017 determina que o SUS aplique, nas consultas de rotina dos primeiros 18 meses, um instrumento para identificar riscos no desenvolvimento. Se algo no desenvolvimento do seu filho preocupa — fala, contato visual, brincadeira, interação —, leve a dúvida ao pediatra ou à unidade de saúde e peça avaliação. Não é preciso esperar o diagnóstico fechado para começar a estimular a criança.




